Dá-me a Mão, Não as Luvas

António Barros

Instalação e Poesia Experimental

CAOS | Casa d’Artes e Ofícios, Viseu
10 de março de 2018 a 14 de abril de 2018


“Dá-me a mão, não as luvas”, ou como resistir a uma institucionalização do fait divers.

Texto de António Barros sobre o seu obgesto “Dá-me as mãos, não as luvas”.

Sobre as luvas – anéis de letras. Apenas letras. Palavras. Um Objecto_Livro procura retratar em 12 momentos as características de um tempo em que o P (de Portugal) foi expulso da palavra óptimo, e, num apenas ótimo, sem o(P)timização (e)legível.

Este projecto de Objecto_Livro formula uma breve constelação de retratos vivenciados, antes colhidos nas narrativas do quotidiano dos dias presentes. Nas urbanidades. Mergulhada num fascínio inconsciente pelo que Roland Barthes estruturou como linha de pensamento afogado no fait divers. E tanto do seu efeito tsunami.

É uma sociedade resignada quem vem a desafiar a formulação deste retrato. Resignadamente, resigna-se em resignaçõesmúltiplas trocando as “coisas reais” pelo fait divers. Institucionalizando-o. E é de um modo dificilmente assumido que esta mesma sociedade se apresenta com rosto nas recidivantes letargias da sua já macro inquietação. Procura o mínimo de palavras para se fazer enunciar legitimando, assim, uma escrita operativamente visual.

Electrónica. Esta sociedade – iconoclasta – gera inquietações perante o leitor dos seus manifestos. Gestos convulsivamente procurantes de uma condição poÉtica que não estende a mão. Pede a mão. Obrigando. E aí parece haver uma incontornável ameaça de renovação procurando alternativa ao fait divers. O devir de um novo sentido. Urgente desígnio onde as palavras, e toda a comunicação, timidamente procuram de novo reinventar-se.”

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